Saturday, April 30, 2011
What Artur had to say about DariusA new twist to the Boeuf sur le Toit story.

Artur Rubinstein and Darius Milhaud, Rio de Janeiro, 1918 (Rubinstein: My Many Years)
As Darius Milhaud maintained in his autobiography, Notes sans Musique (1949), he intended Le Boeuf sur le Toit to be a musical accompaniment for one of Charlie Chaplins films. Cocteau disapproved of my idea, and proposed that he should use it for a show, which he would undertake to put on. Cocteau had a genius for improvisation! Hardly had he conceived the idea of a project than he immediately carried it out.
The pianist Artur Rubinstein, who had made Milhauds acquaintance during his first South American concert tour, presents a different scenario in his own autobiography, My Many Years (1980). Rubinsteins account reveals that Milhaud and Cocteau first presented Le Boeuf to Serge Diaghilev in the hope that he would stage it.
The very amusing story is told in full in Milhaud & Rubinstein in Rio and Paris.
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15:03

Wednesday, April 6, 2011
Sobre o problema da Orquestra Sinfônica Brasileirapor Paulo Sergio Santos

Foto: Silvana Marques
Muito foi falado nos blogs nacionais e internacionais, nos jornais, rádios e televisões, sobre a “tsunami” que invadiu o Rio de Janeiro. Existem exposições maravilhosas, com as quais eu concordo, outras igualmente bem escritas, que expressam opinião divergente. A minha versão é: está sendo dizimado um ícone que fez 70 anos de existência e tradição, de glórias e de momentos difíceis, todos superados com a dedicação dos seus integrantes incluindo, obviamente, seus dirigentes, ao longo de vários anos. Muitos obstáculos foram removidos com muita paciência, perspicácia e perseverança. Sempre em nome da instituição, muitas pessoas acreditaram que construíam uma fortaleza baseada não só no rendimento musical e artístico, mas no bom senso, espírito coletivo e inteligência.
A única coisa de que tenho certeza nesse imbróglio é que, se eu pertencesse à orquestra e tivesse me confrontado com uma “avaliação de desempenho” imposta verticalmente pela diretoria, certamente eu estaria agora do lado dos demitidos. E tomaria tal posição, por discordar veementemente dos motivos reais e tão claros que impulsionaram a implantação desse projeto, descabido e totalmente maléfico e não por medo de ser avaliado pois músicos de verdade e não só robôs são avaliados automaticamente nos seus ensaios e apresentações.
Dizer que a OSB ressurgirá das cinzas atuais com característas que podem explicitar um possível desempenho técnico e artístico compatível com o das maiores orquestras do mundo, equivale a previsões feitas com bolas de cristal. E ainda que isso acontecesse, não justificaria o método desumano aplicado. Os fins definitivamente não justificam os meios. O altíssimo preço da irresponsabilidade, da falta de sabedoria, da falta de humildade e da intransigência acabou sendo pago por muitos músicos, com a demissao de 50% da orquestra. Isso acarreta uma tragédia geradora de conflitos de conceitos, idéias e ideais que impedem que ela volte a ser íntegra como sempre foi.
Há muita gente que crê no “sucesso” a qualquer preço! Há muita gente que acredita em “excelência” absoluta, ou seja: que não leva em conta o contexto em que os fenômenos evolutivos acontecem com a rede de relações intrínsecas e às vezes sutis, entre as causas e os seus respectivos efeitos, sejam eles positivos ou nefastos e deploráveis.
O importante é “vencer”! Eu pergunto: vencer o quê? Não há adversário. Não há disputa. A humanidade precisa repensar esses conceitos básicos. A impressão que temos de estar “largados” no tempo e no espaço, nos “empurra” para a penumbra de uma realidade amorfa que nos faz oscilar cíclica e velozmente entre a onipotência e a falta de energia para sequer sonharmos com um futuro melhor, já que as nossas idéias, para serem transmitidas para as massas, precisam furar o bloqueio dos meios de comunicação que, com seus “filtros” acabam sendo influenciados por esta rede de interesses.
Hoje, aos 53 anos, percebo com clareza os malefícios causados por este estado de espírito insano que incita a uma obsessiva busca pela perfeição e excelência, desenfreada, desregulada e desconectada do bem, pois seu alto poder de destruição faz sucumbir os ideais mais nobres que dão sustentabilidade ao ser humano como um todo, com suas virtudes e defeitos. A vaidade exacerbada é o combustível para a indecência, a falta de compostura, a falta de caráter e sobretudo a falta de verdadeiros amor e paixão.
Em nome de Deus, crimes hediondos foram cometidos contra a humanidade, mas em nome dos homens atrocidades maiores ainda, “pipocaram” na história, imbuídas de um objetivo tosco: o tal do “desenvolvimento” cruel, avassalador e capaz de estremecer as bases de conceitos que poderiam, de certa forma, justificar a nossa passagem por este mundo de forma mais positiva. A verdadeira evolução é como mágica. Envolve dedicação, tem seus truques, mas tem graça e acontece de forma natural e gradativa. Ela sustenta a si própria. Ela se auto-avalia e através desses resultados se redireciona em busca da excelência, mas também do bem comum. Quando cada um cumpre o seu papel, ela “brota” naturalmente. Considero esse o único caminho.
Que a crença em Deus não seja usada apenas para livrar dirigentes e dirigidos da incompreensão intransponível dos mecanismos complexos que controlam a vida de uma coletividade, especialmente a musical e, da perplexidade que todos temos ao nos depararmos com a multiplicidade de alternativas e a maleabilidade e relatividade não só das “certezas” aparentes e superficiais mas também de parâmetros inquestionáveis, dignos e cruciais. Não é cabível acreditar que sejam de procedência divina a persistência em quaisquer objetivos, mesmo os duvidosos, pois, pode trazer e, nesse caso, trouxe resultados forjados a ferro e fogo, que não representam um senso comum e que são amparados no desprezo e na falta de consideração com as pessoas que constituíam as “células” do “tecido” desta coletividade, independentemente do que diz a lei. Este foi um péssimo exemplo para jovens músicos e artistas. Ao tentar obrigá-los a esquecerem quem são, de onde vieram e insinuando quem deveriam ser e para onde deveriam ir, paga-se um preço demasiadamente caro por um equívoco que pode esconder, na realidade, um crime que não pode ou talvez não deva ser perdoado facilmente. É pena que as leis, como ferramentas, são muito mais utilizadas para amparar artimanhas do que para proteger o que é lícito e saudável.
É preciso muita responsabilidade e humildade para sonhar, caso contrário, o sonho pode virar paranóia e, no desejo aflito e transtornado pela sua realização, todo o controle acaba se esvaindo e provocando a destruição em cadeia dos valores mais nobres e essenciais do ser humano. Quais os benefícios que uma fé monstruosa pode trazer, se além de remover não só montanhas, acabar removendo a autenticidade e a dignidade de um povo, ao ignorar os seus alicerces éticos, suas argumentações, suas aspirações, sua história, desordenando a hierarquia dos seus valores culturais e morais e ceifando de seus artistas o direito de gostar do que fazem sem a necessidade e ansiedade doentias de querer, a todo tempo e a qualquer custo, descobrir e disputar o lugar que ocupam no “ranking” mundial?
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